SEJAM TODOS BEM-VINDOS!

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

FELIZ ANO NOVO !!!


*****

Da foto: O dia raiando na baia do Marajó!

*

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

TURU - o viagra do Marajó !


O TURU é um molusco que vive dentro de troncos de árvores apodrecidos caídos no mangue, é gelatinoso, corpo alongado e cilíndrico, bem mole, tem a cabeça dura e possui uma espécie de broca que usa para perfurar o tronco deixando cheio de furos é considerado como afrodisíaco.
Come-se cru com sal e limão ou e faz-se o caldo com diversos temperos, como o da foto acima.`É uma delícia!

*

Veja como se tira o TURU do pau:

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

CHULA MARAJOARA - trecho livro Ruínas de Suruanã


- Mané-coquinho, cumo era memo aquela chula qui ocê fez pra D. Minervina, aquela qui cantava o vistido dela? - Tagarelou Zé Pretinho, sem largar o diadema de penas.
- Já tá fora di moda. Ela inda era sortera - Aparteou Erotildes, com despeito , pondo mais fumo no taquari.
- O qui é bom num sai di moda. Canta Mané, pra alegrá a gente - interveio o queijeiro, talhando saco de coalhada.
- Ei Argemiro, vem cumpanhá o Mané no violão - chamou outro. O vaqueiro levantou-se da escada, não sem espichar um olhar para a Casa-Grande onde a noiva morava.
Mané pigarreou, afinou o instrumento e soltou a chula que fizera numa festa de São João, quando Minervina chegara muito formosa, toda de vermelho.

Mulata, cumo eu quisera
sê teu vistido incarnado!
Mulata, ai quem mi dera
vivê nu teu corpo incostado.

Achei tão escandaluso
e tão justo o teu vistido,
por demais audaciuso,
por demais a ti unido.

Qui tive um sério dispeito
du teu vistido incarnado,
tão coladinho em teu peito
conto eu di ti afastado.

Na festa du barracão,
condo chegaste facera,
teu vistido vermelhão
parecia uma fuguera

A incendiá os coração
tu dançava um machucado
dispertando as atenção
o teu vistidu incarnado

E bem tarde já cansada
fuste ao terrero varrido
abanaste afugueada
o decote do vistido

E pensando tá sozinha
tiveste gesto atrivido,
abriste certa molinha
bem no meio do vistido

Sinti o oiá graduado
cuntinuei iscundido
aguardando esperançado
qui abrisses tudo vistido

Mas vortaste ao barracão
nu teu andá rebulado
fuguera di S, Juão,
u teu vistido incarnado.

Mulata, ah! si eu pudesse
a ti mi vê munto unido.
Mulata, ah! si eu tivesse
a sorte du teu vistido!

*****

# A Chula Marajoara é uma dança cultural no ritual afro-brasileira. No Pará é cultivada principalmente nas regiões onde se instalaram os negros escravos, com mais frequencia em Cachoeira do Arari, na ilha do Marajó, por isso recebeu este nome.

*

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

TEM BOTO NA REDE DO TUNICO - Associação Cultural Dalcídio Jurandir



*Filmado em Ponta de Pedras - Marajó - Pará


*É um filme de produção simples mas muito interessante, conta a história de uma jovem chamada Raimunda, que foi morar pra Capital, e tempos depois volta pra Ponta de Pedras acompanhada do namorado e cheia de pavulagem, já não quer ser chamada de Raimunda e sim de RAY, só no salto alto, e por ai vai.....


*


*A Associação Cultural Dalcídio Jurandir, foi fundada em 04 de Abril de 2006, na cidade de Ponta de Pedras, ilha do Marajó, Pará, funcionando na Av. Raimundo Malato, nº207, bairro do Campinho, como uma sociedade civil de direitos privados, sem fins lucrativos, que tem por finalidade promoção cultural, social e de lazer, com vigência indeterminada com o objetivo de promover atividades artísticas e culturais visando colaborar com o desenvolvimento sócio-cultural da comunidade Pontapedrense.
A referida associação é uma entidade que desenvolve diversos  projetos como: oficina de artesanato, teatro, fotografia, filmagens, edição de imagens, palestras e cinema na área rural (estradas e áreas ribeirinhas) exibindo vídeos educativos e filmes produzidos na própria cidade.
Fonte: Blog da associação.

*

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

MASTRO BASTIÃO - Ronaldo Silva


MASTRO BASTIÃO

Sertão de lago,
palafita escura
depois do verão,
a chuva aqui faz invernar
Encharca a terra
com água barrenta
alagando de vez,
ligeireza de raio
Despenca moinho
vergando nos galhos
de vento de açoite,
de tanto girar
Chove miúdo
nos campos de Cachoeira
vi chegar mês de janeiro
vejo Bastião passar
Mastro "porrudo"
vem trazido lá do Teso
te juro que não careço
desse macho "arrecuar''
meteu cabeça,
é mais embaixo a "recalçada"
e o cara foi dar com cara
pra aprender me respeitar
Chove miúdo
nos campos de Cachoeira
e um vaqueiro sem costela
eu nunca vi nada pior
Anda "avexado"
o jeito é só criar novilha
que as maravilhas
nunca pode apreciar
vai carga pensa no
ponteio da viola
ligeiro vai sem demora
pro tio Lero "bulerá"
Convide a dama
pra dançar um chalalá
dança menina, dança rapaz.

*****
RONALDO SILVA - Compositor, percussionista, cantador e pesquisador. Desenvolve trabalho voltado para o fomento e valorização das linguagens e ritmos da Amazônia brasileira.
Idealizador e fundador do grupo Arraial do Pavulagem.

*

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

AS RUÍNAS DE SURUANÃ - Sylvia Helena Tocantins

Esta obra é o registro precioso dum Marajó que já era. A baeta encarnada foi trocada pela capa de napa, o chapéu de carnaúba pelo capacete de plástico, o patchuli foi esquecido para dar espaço ao extrato barato. Programados pela economia de consumo, os seres humanos viram autômatos, que tem o mesmo cheiro e a mesma fala imposta pela rádio e a TV........Padre Giovanni Gallo.

 ****

O Marajó pode ser visto por muitos prismas. Eu prefiro ver dentro da grandiosidade paradisíaca que a natureza lhe oferece. Ambiente rude e agreste, mas pleno de encantamento. Lá na hora cismativa do poente, Deus é quase palpável. Sentimos a sua presença bem de perto.
O marajoara é acomodado como a canarana e o mururé que dormitam em cima d'água e só caminham quando a maré os leva. Devia ser como a jacitara que se apega aos altos troncos, vai subindo até tomar sol lá em cima. Vive num cenário primitivo, enfrenta rigorosas invernadas de pé no chão e chapéu de palha. Suporta o verão causticante e o juquiri espinhento que nasce na terroada, mas está sempre de bom humor, conformado e acha remédio pra tudo. Somando tudo isso, o caboclo é um herói anônimo, na luta do ganha-pão.
De uma credulidade máxima, ultrapassando o limite da suposição e atingindo o lado sobrenatural das coisas, vive o nativo da ilha, num labirinto fascinante de lendas e "causos", campos e cerrados, planícies e igapós. Conserva a crendice das gerações antecedentes, fiéis às suas origens indígenas...
A vida daquela gente tem o mesmo compasso lento do giro vagaroso dos carros de bois..........Marajó é um tônico para os nervos. Relax total, colírio para os olhos. Faz bem a quem vive poluído pelo concreto, nos centros computadorizados. É uma fuga da realidade para o sonho........Sylvia Helena Tocantins

*****

sábado, 3 de dezembro de 2011

OS BICHOS ENCANTADOS DO MARAJÓ


OS BICHOS ENCANTADOS DO MARAJÓ

Baixando o rio, em direção a Laguna, uma localidade distante de Breves, já "pras bandas" de Portel, ia Tio Cabra com sua família, numa canoa a remo. Iam fazer farinha para trocar com alguma comida. No entanto, o que mais nos interessa é o fato ocorrido no caminho da jornada da família Soares até seu destino. Por favor, não se espante com o caso que vou lhes contar. Alguns podem achar que é uma inverdade, mas para os moradores do outro lado dessa imensa ilha é verossímil o que conto. De onde moravam, até onde iam fazer a tal farinha d'água, eram seis horas de remo, isso a favor da maré, mas o "caboco" tinha que ser bom de braço pra garantir a jornada. Antes que me perguntem, para que tanto sacrifício? É que nessa época se praticava aquela velha prática de troca de alimento. Era muito comum a troca de comida, um alqueire de farinha por um fardo de jabá, por exemplo, entre os moradores vizinhos. Isso mesmo, apesar da distância, as pessoas costumam tratar as outras conhecidas de vizinhos. Eu mesmo tenho uma vizinha que mora no Camará, um lugar mais ou menos 15 Km de onde moro. Toda vez que ela me encontra solta aquela frase agradável aos ouvidos, em meio de um sorriso sincero: Ei - vizinho!
Pois bem! no meio da viagem, eles pararam numa casa a beira do rio para esquentar a comida que levavam. Tinham saído cedo por causa da maré. Era quase meio dia, precisavam parar e comer alguma coisa.
Tio Cabra encostou a canoa na ponte, uma tora de madeira escorada no barranco do rio. Gritou para verificar se havia alguém na casa e ouviu uma resposta. Desceu sozinho. Aproximou-se da casa . Parecia deserta. Pensou que se tratava de uma "tapera" - casa abandonada no meio da mata cuja crendice popular afirma ser mal assombrada, porque todos que ali moravam já morreram - mas havia fumaça saindo por detrás da casa, então havia alguém ali. Deu outro grito:
- Ô di casa! E ouviu de imediato um "pode entrar!".
Gritou outra vez:
Ô di casa! E ouviu novamente a frase.
Mas não enxergou ninguém. Será visagem que mora nessa tapera? Pensou o intruso.
Subiu os primeiros degraus da escada da casa, olhando pra cima, de um lado para o outro e não enxergava ninguém. Falou mais uma vez:
Ô di casa!
E bem perto do seu ouvido, escutou aquela resposta. Nessa hora arrepiou-se. Todos os cabelos de sua cabeça ficaram pra cima, sumiu até a cor do beiço. Quando levantou a cabeça avistou um papagaio. Não sou expert no assunto, mas se tratava de um daqueles de testa amarela, que aprendem a falar tudo facilmente. Ficou impressionado. E não é pra menos. Como um animal daquele podia ser tão esperto, tão sabido?
- Cadê teu dono? Perguntou TioCabra.
E ouviu do empenado:
- Tá pra roça, curupaco, tirando madioca, curupaco! Disse o bicho.
Pensou já ter visto tudo na vida, mas isso ficaria marcado para sempre na sua memória. Depois de refletir, rapidamente, sobre o acontecido, voltou a realidade e lembrou-se que estava ali para arrumar fogo para esquentar a comida que traziam.
Olhou para o fogão de lenha onde uma panela fervia incessantemente.  Devem ter deixado a comida aprontando. Não estavam então tão longe os moradores daquele lugar misterioso. Chamou sua esposa que aguardava uma resposta para o pequeno entrava:
- Ei mulher, traz a comida pra esquentar, aqui tem um fogo pronto!
Ficou esperando ela chegar. Enquanto esperava, bateu no bolso da camisa, procurando o tabaco para enrolar um porronca. Achou o tabaco. Pegou a palha do milho, usado como abade e começou a enrolar. Passou a língua para grudar a palha. Bateu novamente nos bolsos, agora procurando o fósforo, que por acaso não trouxera e de repente ouviu o tal papagaio gritar:
- Chico! Chico traz o fogo pro homi, curupaco!
Nessa hora pensou ser brincadeira de muito mau gosto. Até riu meio sem graça. Mas eis que de dentro da mata surge um macaco prego, aparência de primata velho. Foi até o fogão de lenha e pega um tição. Coloca-o bem na frente do assustado visitante, na posição exata para acender o cigarro de palha. Tio Cabra ficou estático, pensando se aqueles animais não seriam encantados, pessoas que foram transformadas naqueles bichos. Não havia uma explicação para aquilo. Procurou uma resposta, não encontrou. Disse obrigado e da ave ouviu um "de nada!".
Quando pensou já ter acabado aquele momento, mistura de emoção e medo, um momento "fantasmático", o animal empenado  deu uma ordem aopeludo, dizendo:
- Chico tá acabando o fogo, curupaco, coloca lenha, coloca lenha, curupaco!
O macaco prontamente pula do beiral da casa, pega um pedaço de perna de calça, tira a panela de cima do fogo, pega uns pedaços de lenha pronta que se encontrava debaixo do fogão e coloca em cima  da brasa ardente, coloca novamente a panela, começando a abanar com abano de palha até o fogo estalar.
Isso foi demais para Tio Cabra e sua mulher que observavam toda aquela arrumação.
- Vumbora mulher, só pode ser coisa do outro mundo! disse o marido muito assustado.
Pegaram suas coisas e saíram às pressas daquele lugar e nunca mais voltaram lá. Dizem que não voltaram porque nunca mais encontraram a tal tapera. Ela desapareceu, como imaginação nas curvas dos rios desse imenso Marajó.

******



DE: Mais um escritor sem livro - Daniel Nicácio


*