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quarta-feira, 9 de março de 2016

CABOCL@RTES 76 - Dom Juan das águas - Vânia Andrade

A lenda do boto - representada num painel confeccionado em  juta tamanho 58x50, pintado em acrílica, com detalhes de motivos marajoaras.

*Dom Juan das águas

Há muitos e muitos anos era muito comum aos ribeirinhos da Amazônia festejarem o nascimento de Santo Antonio, São João e São Pedro. E nessas noites se faziam fogueiras, comidas típicas e dançavam ao som alegre dos instrumentos musicais.
As mulheres usavam seus melhores vestidos, flores nos cabelos e se perfumavam com óleo de patchouli.Jovens, velhos e crianças brincavam, comiam, enfim festejavam a vida.
As moças em busca de marido tinham nessas festas uma boa oportunidade para conhecer os rapazes dos vilarejos vizinhos, mas como nada na vida  é perfeito, naquela época era comum por aquelas bandas, vez ou outra aparecer um jovem trajando roupa branca e chapéu panamá. Era falante, galanteador e exímio dançarino, por isso todas as moças do vilarejo ficavam assanhadas e risonhas na esperança de conquistar o coração do jovem galanteador.
O jovem misterioso aproximava-se das jovens desacompanhadas, dançava com elas a noite toda. Seduzidas pelo desconhecido, invariavelmente, ao final da festa, aceitavam dar um passeio a beira do rio tendo o luar a estimular a aventura, local onde costumava engravidá-las.
E ao raiar do sol abandonava-as, pulando na água assumindo sua forma primitiva: o boto, pois de acordo com a lenda, o boto sai dos rios nas primeiras horas das noites de festa e com um poder especial, transformar-se em um lindo jovem vestido com roupas brancas e chapéu para esconder o orifício no alto da cabeça e também para disfarçar um grande nariz.
Por isso, as solteiras eram alertadas por mulheres mais velhas para terem cuidado com os galanteios de homens desconhecidos usando chapéu panamá nos festejos juninos ou a tardezinha às dos rios, quando vão tomar banho, assim evitariam ser seduzidas.

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*Homenageando Vânia Ribeiro de Andrade, escritora infanto-juvenil e contista, acredita em Deus, na vida e nas pessoas, bem como na necessidade de incentivar a leitura como formação de cidadania. Brasileira, natural de Fernandópolis/SP, reside há mais de 30 anos em Marabá/PA, terra que aprendeu a respeitar e amar.

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