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quarta-feira, 10 de julho de 2013

A LENDA DA MULHER DE BRANCO

A lenda da mulher de branco
é uma lenda muito antiga
de uma mulher chamada Lourdes
jovem e muito bonita

De uma gravidez escondida
Lourdes veio a falecer
pois viveu os nove meses
sem nada a ninguém dizer

Há 60 anos atrás
as sociedades eram rigorosas 
e a desobediência trazia
consequências desastrosas

Com moças daquela época
ai de que a bolinasse,
morreria ou virava boi
se com a moça não casasse

As meninas mais medrosas
apelavam pra um aborto
e aquelas mais espertinhas
jogavam pras costas do boto

Cachoeira do Arari
influenciada por jesuítas
apesar da evolução
em muita coisa ainda acredita

Passou a idade da pedra,
passamos da ditadura
e ainda tem gente que amanhece
em cima da sepultura

Mas vamos lá aos relatos
é melhor não duvidar
vai que você marque touca
e um dia amanheça lá

São vários os acontecimentos
que por homens foram contados
geralmente as vítimas são
homens alcoolizados

"Um rapaz vinha da festa
às quatro da madrugada
quando avista um vulto
vindo pela estrada

O vulto é humano
parece ser de mulher
e o homem firma a vista
pra melhor ver quem é

Vestida toda de branco
com os cabelos compridos
impedindo a visão
de seu rosto indefinido

O rapaz ao aproximar-se
Vê tratar-se de uma moça
e por conhecer a lenda
pensa em fazer alguma coisa

Entrando em desespero
- Meu Deus que sorte a minha...
e puxou do cós da calça
uma minúscula faquinha

Atravessa-a na boca
mordendo-a fortemente
tentando afastar a moça
com a força de sua mente

Com as pernas muito bambas
sem forças para correr
O rapaz pega a sombra
de um poste pra se esconder

Assim que a moça passa,
o moço não espera mais,
sai em grande disparada
sem ao menos olhar pra trás

Mas às vezes caros leitores
as coisas não acabam assim
tem homens que não resistem
e com elas vão até o fim

Não sei se é conversa ou charme,
só sei que eles vão no gosto
e amanhecem nus na sepultura
com o sol batendo no rosto

Aí amigo, o desespero
é de parar o coração
o caboclo sai em disparada
"voando" com as calças na mão

Uma de suas aparições
foi na praça da Matriz
a mulher de branco procurava
mais um pobre infeliz

Foi no Finados de 2007
que o fato aconteceu
eram duas da madrugada
e foi um vigia que percebeu

O vigia estava sentado
em frente ao necrotério
e nunca pensou que a mulher
viesse do cemitério

Preocupado com a moça
até a praça caminha
pensando em alertá-la
à não andar mais sozinha

O vigia não percebeu
que estava tendo uma visão
e ao chegar perto, a moça
sumiu na escuridão

Seu cabelo arrepiou
apavorado quis correr
era a mulher de branco
que ele acabava de ver

Mantendo a calma, o vigia
ao seu trabalho voltou
e de manhã bem cedinho
aos seus amigos contou

A notícia vai de alastrando
a cada aparição
restando aos homens apenas
beber com moderação

Beber sem exagero
sem cometer impropério
pra não acabar amanhecendo
na pedra do cemitério

Às mulheres cachoeirenses
resta inveja e despeito
pois muitas não tem competência
de levar ninguém pro leito

Uma mulher misteriosa
que tem apenas como arma
a sedução escondida
no fundo de sua alma

Lourdes sofreu bastante
de amor e solidão
e hoje vive a vagar
em busca de uma paixão.

AUTORA: Ana Karina Paraense Viana, natural de Cachoeira do Arari, professora na Escola Municipal Adaltino Paraense, onde trabalha há 25 anos, ama teatro e tem projetos envolvendo a cultura de seu município.
Foto:Winchester Home

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