“A natureza está secando”: quilombo no Marajó vive impactos do arrozal e clima de violência

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sábado, 7 de setembro de 2013

CULTURA MARAJOARA: HIDROVIA DO MARAJÓ VS. ECOVIA TRANSMARAJOARA

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quinta-feira, 5 de setembro de 2013

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Movimento Marajó Forte: CAMPANHA PRÓ-CRIAÇÃO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO MA...: O Movimento Marajó Forte (MMF) e o Grupo em Defesa do Marajó (GDM) e demais entidades que integram os Movimentos Sociais do Marajó apó...

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

CABOCL@RTES 50

PAIXÃO CABOCLA - Óleo sobre tela 40 x 90 com detalhes em motivos da cerâmica marajoara. Homenageando Dona Onete , a diva do carimbó chamegado, marajoara, nascida em Cachoeira do Arari, gravou seu primeiro CD aos 72 anos e é só sucesso.

PAIXÃO CABOCLA
Toda vez que eu vejo você
o meu corpo se desloca
nas ondas da Pororoca
depois o meu corpo desliza
nas correntezas do rio
nas águas de fevereiro
nas águas de março
nas águas de abril
mas eu não sei
se é amor ou desejo meu
eu só sei que está no meu corpo
está na minha alma
no meu pensamento
me roubando a calma
ao te ver eu fico louca
a minha paixão é cabocla
te desejo numa esteira
na mangueira, no tupé
no leito de um igarapé
em uma canoa quebrada
ai! ai! ai!
eu estou apaixonada.
*
Ionete da Silveira Gama é seu nome completo, foi professora de História e Estudos Paraenses, organizou grupos folclóricos, cordões de pássaros, etc... é compositora de inúmeras canções, esta da homenagem, é uma delas.
*



segunda-feira, 5 de agosto de 2013

CABOCL@RTES 49

PASSARADA - Óleo sobre tela 24X30

MARAJÓ
Tuas paisagens fantásticas
de qualquer olhar vem a contemplação
ilha mistério, fantasia
cercada de fascinação.
No crepúsculo da manhã
a beleza no alvorecer.
Marajó lugar de encantos
terra boa pra se viver.
Ouvi-se um grito ao longe
do vaqueiro que laça a boiada,
em teus lagos, campos e matas
a beleza da passarada
Marajó,
surtes efeitos na nascente da aurora
que dá vida a este teu povo
e em tua fauna e flora.
Marajó,
fontes pra muitos de admiração
pois teu sol nos ilumina
e Deus abençoa este pedaço de chão.
*
Autor:
André Luis Silva Nascimento, marajoara nascido em Caju-Una no município de Soure, participou da IV ANTOLOGIA LITERÁRIA DO MARAJÓ.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Interfaces Culturais: Uma emocionante crônica de Drummond sobre o Marajó...

Interfaces Culturais: Uma emocionante crônica de Drummond sobre o Marajó...: A MOÇA CONTOU Carlos Drummond de Andrade O Marajó é uma coisa fantástica, só você vendo... E depois de ver, é capaz de não acreditar. Você...
Uma emocionante crônica de DRUMMOND DE ANDRADE sobre o Marajó

quarta-feira, 10 de julho de 2013

A LENDA DA MULHER DE BRANCO

A lenda da mulher de branco
é uma lenda muito antiga
de uma mulher chamada Lourdes
jovem e muito bonita

De uma gravidez escondida
Lourdes veio a falecer
pois viveu os nove meses
sem nada a ninguém dizer

Há 60 anos atrás
as sociedades eram rigorosas 
e a desobediência trazia
consequências desastrosas

Com moças daquela época
ai de que a bolinasse,
morreria ou virava boi
se com a moça não casasse

As meninas mais medrosas
apelavam pra um aborto
e aquelas mais espertinhas
jogavam pras costas do boto

Cachoeira do Arari
influenciada por jesuítas
apesar da evolução
em muita coisa ainda acredita

Passou a idade da pedra,
passamos da ditadura
e ainda tem gente que amanhece
em cima da sepultura

Mas vamos lá aos relatos
é melhor não duvidar
vai que você marque touca
e um dia amanheça lá

São vários os acontecimentos
que por homens foram contados
geralmente as vítimas são
homens alcoolizados

"Um rapaz vinha da festa
às quatro da madrugada
quando avista um vulto
vindo pela estrada

O vulto é humano
parece ser de mulher
e o homem firma a vista
pra melhor ver quem é

Vestida toda de branco
com os cabelos compridos
impedindo a visão
de seu rosto indefinido

O rapaz ao aproximar-se
Vê tratar-se de uma moça
e por conhecer a lenda
pensa em fazer alguma coisa

Entrando em desespero
- Meu Deus que sorte a minha...
e puxou do cós da calça
uma minúscula faquinha

Atravessa-a na boca
mordendo-a fortemente
tentando afastar a moça
com a força de sua mente

Com as pernas muito bambas
sem forças para correr
O rapaz pega a sombra
de um poste pra se esconder

Assim que a moça passa,
o moço não espera mais,
sai em grande disparada
sem ao menos olhar pra trás

Mas às vezes caros leitores
as coisas não acabam assim
tem homens que não resistem
e com elas vão até o fim

Não sei se é conversa ou charme,
só sei que eles vão no gosto
e amanhecem nus na sepultura
com o sol batendo no rosto

Aí amigo, o desespero
é de parar o coração
o caboclo sai em disparada
"voando" com as calças na mão

Uma de suas aparições
foi na praça da Matriz
a mulher de branco procurava
mais um pobre infeliz

Foi no Finados de 2007
que o fato aconteceu
eram duas da madrugada
e foi um vigia que percebeu

O vigia estava sentado
em frente ao necrotério
e nunca pensou que a mulher
viesse do cemitério

Preocupado com a moça
até a praça caminha
pensando em alertá-la
à não andar mais sozinha

O vigia não percebeu
que estava tendo uma visão
e ao chegar perto, a moça
sumiu na escuridão

Seu cabelo arrepiou
apavorado quis correr
era a mulher de branco
que ele acabava de ver

Mantendo a calma, o vigia
ao seu trabalho voltou
e de manhã bem cedinho
aos seus amigos contou

A notícia vai de alastrando
a cada aparição
restando aos homens apenas
beber com moderação

Beber sem exagero
sem cometer impropério
pra não acabar amanhecendo
na pedra do cemitério

Às mulheres cachoeirenses
resta inveja e despeito
pois muitas não tem competência
de levar ninguém pro leito

Uma mulher misteriosa
que tem apenas como arma
a sedução escondida
no fundo de sua alma

Lourdes sofreu bastante
de amor e solidão
e hoje vive a vagar
em busca de uma paixão.

AUTORA: Ana Karina Paraense Viana, natural de Cachoeira do Arari, professora na Escola Municipal Adaltino Paraense, onde trabalha há 25 anos, ama teatro e tem projetos envolvendo a cultura de seu município.
Foto:Winchester Home